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Pouco importa se Vitor Belfort se machucou e está fora da tão aguardada revanche contra Wanderlei Silva, se não vai ter Anderson Silva contra Chael Sonnen como previsto no começo, se uma lesão tirou Daniel Sarafian da final dos médios do The Ultimate Fighter Brasil. O UFC 147 será histórico, mesmo aos remendos.

Quando as luzes do Mineirinho se apagarem e, sob o brinde da escuridão, em plena noite junina, os olhos do mundo se voltarem para Belo Horizonte, não serão apenas 11 lutas, não estará em jogo apenas uma vitória a mais no cartel ou um contrato com o UFC. O evento põe de vez uma pá de cal no preconceito e consolida o MMA como força irrevogável no Brasil. É o caminho sem volta do gosto popular, termômetro de qualquer esporte.

O UFC, da sarjeta da discriminação, ganhou a TV aberta, a toda-poderosa Globo, o carimbo da voz de Galvão Bueno. Pegaram a fórmula que deu certo nos EUA e trouxeram pra cá. O embate dos cascas-grossas virou reality show. Um Big Brother de luta em plena noite de domingo. O MMA na agenda televisiva semanal.

Foram 32 lutadores se digladiando entre si, mas juntos pela mesma causa: finalizar a discriminação contra as artes marciais mistas.

Já tentaram levar o MMA à lona nos Estados Unidos 15 anos atrás. Não conseguiram. No Brasil, a ignorância fez incursões pelo mesmo caminho. Bastou o TUF começar pra choverem críticas de toda sorte. Chamaram o esporte de violento, compararam com rinha de galo, bradaram que é pura selvageria. Mas é ação e reação. Quanto mais bateram, mais forte o MMA foi ficando. A resposta é um nocaute na falta de informação: um esporte seguro, confiável e que a cada dia atrai mais adeptos. O grilhão do preconceito enfim foi quebrado.

O UFC 147 não é um card que prometia muito e que acabou esvaziado por contusões e mudanças. É a consagração do sonho de gerações e gerações que, literalmente, lutaram pra ver o MMA como paixão nacional.

Uma estrada simbolizada na figura de Wand, a quem caberá a honra da luta principal da noite contra Rich Franklin. O homem com sangue nos dentes, machado nas mãos e o coração do tamanho de um octógono terá pela frente mais uma revanche. Wand, gigante nas vitórias e nas derrotas, que já apanhou até sangrar, virou duelos impossíveis, encarou desafios, venceu desafetos e escreveu seu nome na história do esporte, será o mestre de cerimônia da noite de gala do MMA no Brasil.

Wand tem a obrigação de vencer e fechar o UFC 147 com chave de ouro, uma chave que abrirá novas portas, janelas e corações.

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