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Assim como eu, tenho certeza que se alguém fizer o ligamento entre MMA e Croácia você não vai titubear e Mirko Crocop lhe virá a cabeça. Em seguida, vários chutes violentos dominarão sua memória e você vai lamentar que a aposentadoria de um dos maiores atletas do Pride e K-1 do MMA aconteça.

O fato de Mirko ser um ex-policial (daí vem seu apelido, já que “cop” se refere a polícia ) poderia vir a ser um ingrediente importantíssimo na carreira do croata. Fazer caras e bocas, trabalhar um trash-talk faria com que ele virasse o centro das atenções, mas não foi assim que Mirko conquistou os fãs e os ringues: foi na raça, na humildade e na “canelada”.

Nascido em 1974, em Zagreb, Mirko Filipovic fez história no K-1, antes de se consagrar no Pride.

Sua carreira no maior evento de trocação se iniciou em março de 1996. Entre esta data até agosto de 2001, Mirko se apresentou 19 vezes, venceu 12 delas e perdeu em 7 oportunidades. Em 1996, com 22 anos, Filipović estreou no torneio derrotando Jérôme Le Banner, mas na rodada seguinte caiu diante de Ernesto Hoost – este que viria a ser seu maior empecilho no evento.

3 anos depois, em 1999, Mirko voltou ao evento derrotando o africano Jan Nortje e o britânico Rick Nicholson, mas sentiu novamente o gosto amargo da derrota ao perder para o suíço Xhavit Bajrami.

Mesmo com 2 derrotas em 5 embates, o croata retornou com moral ao evento para fazer frente ao duríssimo kickboxer Mike Bernardo, em luta válida pelo GP. Quebrando a banca, Crocop bateu  Mike, Musashi e Sam Greco na mesma noite, antes de ser derrotado novamente por Hoost – após o evento foi revelado que o croata entrou no ringue contra Hoost com uma costela quebrada, resultado de suas lutas anteriores.

Depois de perder para Hoost em dezembro de 1999, até junho de 2001 Mirko lutou mais 10 vezes, batendo nomes como Hiromi Amada, Peter Aerts e o brasileiro Glaube Feitosa.

Foi em 2001, ainda no K-1, que Mirko realizou sua primeira luta de MMA, seu adversário: Kazuyuki Fugita, lhe proporcionou uma estreia de gala, em embate relâmpago que não durou 40 segundos. Do inicio vitorioso até sua nona luta, o croata seguiu invicto e anotou grandes vitorias, como quando bateu Wanderlei Silva, Kasushi Sakuraba, Heath Herring e Igor Vovchanchyn, o qual apagou ainda em pé.

Mesmo com o retrospecto positivo no MMA, Mirko sabia que precisava bater um dos grandes nomes do evento para se firmar como um perigo real. Vindo de 14 vitórias nas últimas 15 lutas, o temido Minotauro Nogueira fez frente ao croata e lhe impôs seu primeiro revez no MMA. Em luta válida pelo cinturão interino da categoria peso-pesado, Mirko sucumbiu ao brazuca na segunda etapa, quando “Big Nog” o derrotou por sua via mais perigosa: a finalização. Com uma justa chave de braço Minotauro conquistou o cinturão (interino) do evento, em luta que os veículos especializados consideraram como a melhor do ano de 2003.

Depois da primeira derrota no MMA, Mirko venceu mais duas vezes até cair novamente, desta vez contra o experiente americano Kevin Rendleman, mais conhecido como “O Monstro”. O duelo foi rápido e sádico. Kevin precisou de menos de 2 minutos para mandar Mirko para lona e apagar um pouco da chama do croata.

Depois da segunda derrota, os próximos 8 meses da vida de Mirko foram de intenso trabalho. Dentro desse tempo o croata lutou 5 vezes, obtendo a vitoria em todas as suas aparições. Das 5 lutas, apenas uma não foi decidida antes do tempo regulamentar. Nessa série de vitórias, Mirko bateu o irmão do russo Fedor Emelianenko, o casca-grossa Alexander Emelianenko, com um belíssimo chute na cabeça – Fedor teria a chance de se vingar no ano seguinte -, além de Josh Barnett e do “Monstro” Kevin Rendleman, na aguardada revanche.

No ano seguinte, após bater Mark Coleman e Ibragim Magomedov, Mirko se credenciou a lutar pelo cinturão da categoria, e seu oponente seria ninguém menos que Fedor Emelianenko, e se você tem a minima noção de MMA e da história de Fedor já sabe quem venceu a peleja. Em luta decidida pelos laterais, Mirko saiu derrotado no embate em que todos ganharam, inclusive ele. Considerada como a luta do ano de 2005, Crocop e Fedor anotaram seus nomes na história do show com uma das lutas mais importantes do evento nipônico.

Depois da derrota para Fedor, Mirko venceu novamente Barnett e conheceu o nome de sua terceira e última derrota no evento: Mark Hunt, em duelo parelho que foi vencido pelo neozelandês na decisão dividida.

As próximas lutas foram foram válidas pelo GP de 2006. Depois de bater dois japoneses, ambos por nocaute técnico, Mirko reencontrou Wanderlei Silva na semifinal do torneio. O desfecho dessa luta foi aquele famoso chute na cabeça que nocauteou o brasileiro –  golpe o qual todos já cansaram de ver nas chamadas de Mirko no UFC. O nocaute, que (também) foi considerado como melhor do ano, rendeu o passaporte para a final do GP, contra um nome bem conhecido pelo croata: Josh Barnett.

Josh Barnett. Esse atleta fez parte da história de Mirko Crocop. O croata fez frente ao gigante por 3 vezes, a última delas na final do GP e em sua última aparição no evento. O fim dessa história não poderia ser outro a não ser a vitória. E foi aos 7 minutos e 32 segundos da primeira etapa (o primeiro round era de 10 minutos) que Crocop fechou com chave-de-ouro sua história no Pride. E como da primeira vez Mirko obteve a vitória com uma finalização.

Acabava ali, no dia 10 de setembro de 2006, a passagem de Mirko Crocop no Pride, conquistando o GP dos Pesados daquele ano. Foram tantos chutes e tantas caneladas que o Pride não seria o mesmo sem esses ingredientes.

Antes de falar da passagem de Mirko no UFC, levantarei a vocês as 3 lutas que ele realizou fora da Zuffa depois de sua saída do Pride. 2 delas foram no Dream, contra Tatsuya Mizuno, o qual venceu, e contra o gigante holandês Alistair Overeem, em luta que acabou em NO CONTEST, a outra luta foi no Dynamite 2008, contra o gigante coreano Hong-Man Choi, o qual o venceu na base do “low-kick”.

Falemos agora, então, de UFC… bom, no UFC todos sabemos como Mirko foi. Em sua estréia, contra Eddie Sanchez, o croata obteve um bom resultado, mesmo claramente longe de seu potencial verdadeiro. A vitória sobre o americano por nocaute técnico passou longe, mas bem longe mesmo de seu próximo resultado.

Sua segunda luta no Ultimate foi contra Gabriel Napão, em luta que decidiria o próximo desafiante ao título, e meu amigo… Foi tenso! Mirko Crocop levou um dos nocautes mais lindos da história do evento. O croata apagou, morreu por instantes. Foi lindo e bizarro ao mesmo tempo.

Sua passagem no UFC foi mais válida pela emoção de ver um dos maiores lutadores do planeta no atual maior evento do mundo do que por outros motivos. Ele era na maioria das vezes a zebra, mas torcer para Mirko foi e sempre será uma sensação maravilhosa.

Depois da derrota para o brasileiro Napão, Crocop anotou mais resultados negativos. Perdeu para Congo, Cigano, Mir e Schaub, vencendo apenas atletas de baixo calíbre, como: Mostapha Al-turk, Anthony Perosh e Pat Barry.

Sua última aparição no evento foi contra o carismático Roy Nelson, no UFC 137. Mirko foi o mesmo de sempre que fora no UFC: fraco e previsível, e infelizmente acabou sucumbindo na última etapa, depois de uma série de socos. Estava decretado o fim da carreira da lenda viva Mirko Crocop no UFC e no MMA.

O monstro criado no Pride e K-1, cansou no UFC, mas tudo foi válido, tudo foi emocionante. Quem não se emocionava ao ver o croata entrar com sua peculiar sunga com a bandeira da Croácia sem patrocínio nenhum? Quem entrava sem merchandising no UFC? Poucos! Mas acabou! Para infelicidade geral Mirko se afastou do MMA com 3 derrotas consecutivas, mas calma, meus amigos e fãs de um bom lutador, você ainda pode ver essa criatura rara e singular em eventos de trocação, pois Mirko, como um bom amante de lutas não conseguiu ficar longe do glamour das artes marcias e voltou ao K-1.

A última luta do campeão do Pride foi contra o veterano Ray Sefo, que rolou no mês passado, e Mirko saiu vencedor na decisão unânime. O próximo compromisso do campeão será contra o espanhol Loren Javier Jorge, no K-1 Rising 2012, que acontecerá em Madrid, no dia 27 de maio.

É, chega a ser clichê, mas Mirko, assim como vários outros atletas, voltou atrás em relação a sua aposentadoria… Depois de você ler toda essa história de amor e sangue, ele resolveu mudar de ideia. Confira o que disse o croata:

“Eu já disse muitas vezes, mas as pessoas entendem errado. Cada luta pode ser a última para mim.”

O que será que vem pela frente?

Veja um vídeo com alguns dos melhores momentos da carreira de Mirko Cro Cop:

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