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A primeira lição é: por um filho, o pai faz qualquer sacrifício sorrindo. Promete, jura, afiança, assevera. Sua, corre, luta, se entrega. Faz de tudo pra mostrar que é mesmo o super-herói que todo rebento acredita. Popó abraçou Popozinho depois da peleja e, aclamado por uma torcida barulhenta, disse baixinho: papai te ama. Fez-se ouvir. Pronto, dever cumprido. Estava realizado, como boxeador e como pai. Ensinava, ali, no ringue, valores que a vida exige. Correu todos os riscos, mas lutou. O choro de pai e filho era um só.

A segunda lição é: não mexa com quem tá quieto. Michael Oliveira cavou a própria cova. Provocou, zombou, subestimou. Falou que ia fazer e acontecer. Tem 22 anos, está no auge da forma e nunca havia conhecido o sabor de uma derrota. Talentoso, invicto, título latino em mãos, achou que o pouco caminho percorrido e a pouca sola de sapato gasta eram suficientes pra arrotar arrogância contra o maior boxeador brasileiro após Éder Jofre. Guiou-se pela típica afoiteza adolescente. Chamou Popó pra briga como o menino que, corajoso, toca a campainha do vizinho e sai correndo ou picha com lápis de cera o muro do colégio. Um campeão se faz com humildade. Assim mesmo, mais clichê impossível. Michael devia ter apanhado de cinturão pra aprender. Popó tem logo quatro.

A terceira lição é: nunca duvide de um campeão. Aposentado, meia década sem lutar, 36 anos, uma longa abstinência do boxe. Popó respirava outros ares, estava acima do peso, nem de longe lembrava o boxeador de outrora quando foi desafiado. O Brasil inteiro vaticinou um vexame homérico. Qualquer comentário que não fosse passional dava a vitória de Michael Oliveira como favas contadas. Chamaram Popó de velho, gordo, acabado, ultrapassado. Cometeram o erro fatal de colocar um tetracampeão mundial de boxe como azarão. Jogaram a história no lixo e ignoraram o significado da palavra superação. Popó não adentrou o ringue apenas pra vencer. As vitórias nem sempre dizem tudo. Ele entrou pra ensinar, pra provar que, mesmo sem precisar provar mais nada, restava um último ato de enredo imprevisível.

A quarta lição é: quem sabe não desaprende. Popó parece ter passado cinco anos congelado. Voltou tinindo, jogando no ralo o vácuo de cinco anos sem treinar. Propalavam que ele não aguentaria mais de três rounds. Só de pirraça, o baiano esperou até o nono pra nocautear. Mas sobrou em todos os outros. Bailou no ringue, buscou mais a luta, castigou o adversário. Quando Michael tentava alguma coisa, esbarrava em uma esquiva imoral. Parecia que o desafiante atacava em câmera lenta. Um menino em slow motion contra um coroa na velocidade cinco da dança do créu. E créu.

A quinta lição é: foi a aula de boxe mais cara de que tenho notícia.

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